10.6.09

Dante e a Virgem

Dante Alighieri (1265 -1321) era homem de temperamento difícil: reza a lenda que estando na corte Bartolomeo Della Scala, aquele, lhe interpelara de seu temperamento aborrecido: “me divirto com os bobos da corte, estes me fazem rir... ao passo que homem tão sábio sempre tão mal humorado” ao que este lhe respondeu: “semelhante com semelhante”, conta Thomas Carlyle em Os Heróis. Conclua leitor, o que então, tal temperamento era capaz de fazer.

Dado importante foi quando esse mesmo poeta embirrento encontrou Beatriz: senhora dos seus sentidos, graça da sua lira e mística: Vida Nova, lugar de conversão para a maioria, nele, se deu na visão magnífica dessa mulher misteriosa, a um só tempo arquétipo de uma porção de alegorias, que a fecunda Idade Média soube atribuir. O que nos causa estupefação é o fato de ser a própria Beatriz o Céu para Dante: de fato Céu ali é um lugar geográfico, pelo estilo de organização pitolomaico-aristotélico e habitado por figuras ilustres: Santo Tomaz de Aquino, São Francisco de Assis, São Bento et caterva.

Entrementes, quando lemos :

“Se no fogo do Amor te resplandeço
se atendestes razões dei poderosas
Para ficar tua dúvida solvida:

Causa te fora a angustia afanosas.
Mas ante os olhos ora vês erguida
Outra ainda mais grave, que, por certo

Não fora só por ti desvanescida.
Já te hei bem claramente descoberto
Que não pode mentir alma ditosa

Pois da suma Verdade é sempre perto... ” :

Sabeis quem é para o Poeta aqui lugar de identificação com a suma Verdade... Estudiosos debruçam-se sobre a ousadia de Dante, como p. ex. nessa passagem citada; É como dizer: todo Céu e Teologia medieval tem naquela Mulher um lugar de “antropomorfização" do divino, por falta de palavra mais justa, de neologismo mesmo, daquela mulher especifica que é modelo, forma, arquétipo, de toda uma geografia que escapa a capacidade de representação para a simples inteligência humana: quem ou o que é próximo da Suma Verdade?


Giovanni Papani no seu magnífico Dante Vivo diz, entre uma porção de disparates, que só um florentino pode compreender a Divina Comédia: e nós, pobres mortais e soteropolitanos? Ele continua dizendo que o que levou a confecção desse sacro poema

“em que tem posto a mão o céu e a terra
e em que hei por tanto tempo emagrecido”
Canto XXV, Paraíso

Fora divida com a Virgem Santíssima, alias, outro lugar de compreensão desse fenômeno de persona em Beatriz, e que por isso fora escrito... Romance, Teologia e Mística, Poesia, strictu sensu, são focos de leitura para o caleidoscópico poema divina: de céu, inferno e imaginação, que, como no giro do objeto citado, ora se deixa ver mais claro ora, mais escuro: “Pape Satan, Pape Satan, Aleppe” Canto VII, v.1

Eis os versos que interessa ao A VOZ DO CEPA, o tal Hino à Virgem:

“Virgem Mãe, filha do teu Filho,
humilde e alta mais que qualquer criatura,
termo prefixado de eterno desígnio,

Tu és aquela que a natureza humana
Enobreceste de tal forma, que seu Criador
Não desdenhou-se fazer-se sua criatura.

Em teu ventre reacendeu-se o amor,
Por cuja calor na eterna paz
Assim germinou esta flor

Aqui és nós luz meridiana
De castidade; e em baixo, entre os mortais,
És fonte de vivaz esperança.

Mulher, és tão grande e tantos vales,
Que quem deseja graças, e a ti não recorre,
É como alguém que desejasse voar sem asas...”

Ou pela desastrosa tradução de J. P. X. Pinheiro:

“Virgem Mãe, por teu Filho procriada,
Humilde e sup’rior à criatura,
Por conselho eternal predestinada!

Por ti se enobreceu tanto a natura
Humana, que o Senhor não desdenhou-se
De se fazer de quem criou, feitura.

No seio teu o amor aviventou-se,
E ao seu ardor, na paz da eternidade,
O germe desta flor assim formou-se.

Meridiana Luz da Caridade És no céu!
Viva fonte de esperança
Na terra és para a fraca humanidade!

Há tal grandeza em ti, há tal pujança,
Que quer sem asas voe o seu anelo
Quem graça aspira em ti sem confiança
...”


Paraíso, Canto XXXIII Trad. J.P.Xavier Pinheiro


Onde se condensam pelo menos 1.500 anos de tradição cristã: aí o Magnificat, Lc. 1, 52: “Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes.” Bem como o dogma da Imaculada Conceição, a toda pulcra, a casa de Deus, Theotokos, mãe de Deus.

Toda originalidade do Canto repousa na inversão que de há muito já é inversa: o Filho que é Pai da sua Mãe que por sua vez fora gerado sem esperma, numa Virgem que, por isso, também fora concebida sem pecado: naquele temos o que só a fé valida e neste, o signo poético que encontra a mística e que, por sua vez, junto com o Je Vous Salet Marie, nos faz indagar: como isso foi possível?


Para o leitor moderno e pós-moderno ler a Commedia é tarefa importantíssima: é só não esquecer que o prêmio Nobel de literatura do séc. XX T. S. Eliot, no belíssimo Terra Desolada, trata sobretudo do problema do homem moderno sem Deus, seco, sem capacidade de contemplar o transcendente, de fruir na mística:


“Que raízes são essas que se arraigam, que ramos se esgalham
Nessa imundície pedregosa? Filho do homem
Não podes dizer, ou sequer estimas, porque apenas conheces
Um feixe de imagens fraturadas, batidas pelo sol,
E as árvores mortas já não mais te abrigam, nem te consola o
canto dos grilos,
E nenhum rumor de água a latejar na pedra seca. Apenas
Uma sombra medra sob esta rocha escarlate.
(Chega-te à sombra desta rocha escarlate),
E vou mostrar-te algo distinto
De tua sombra a caminhar atrás de ti quando amanhece
Ou de tua sombra vespertina ao teu encontro se elevando;
Vou revelar-te o que é o medo num punhado de pó.”

O Enterro dos Mortos, Terra Desolada, T. S. Eliot

“O que é grande no homem é que ele é uma ponte e não um fim” (Nietzche) diz o filosofo alguns séculos depois: o arco do poema que é o da vida liga o homem a tudo: a mística, na religião, dialoga principalmente com o homem porque é mistério e a pergunta pelo Homem é pergunta pelo seu sentido no vir-a-ser e não somente no posto aí. O Real nos inquieta tanto quanto o Encoberto.

Ainda no tema da Virgem, vale recordar o complicadíssimo Duns Scotus, quem demonstra, filosoficamente, sua virgindade: vejam depois caríssimos.

25.5.09

PARA PÍNDARO

"Tenho sobre
a língua
uma pedra
de amolar
cantante,
que me faz
invadir pelo
hálito das
fontes."

22.5.09

Palimpsesto






#

Ou como as
formas em meu
retrato lá
que é casa
e a música alta
da banda extinta em março passado
e pilha de recados mudos
no criado mudo,
dizendo amor e ódio e
o marasmo da imagem,
após café
e apócrifos
de um verso antigo
velho,
ultrapassado:
onde era comum
dizer amor,
repito:
dos finados.

15.5.09

anatómico, e







"...Doravante, quando o homem estremece na alienação e o
mundoo angustia, ele levanta o olhar (para a direita ou
para esquerda,pouco importa) e avista uma imagem... "
Martin Buber, Eu e Tu

#

Da garganta
_________ao estômago e
até a língua até as pálpebras
lá: na laringe
__da planta nos pés à porta,
chaga - calota - o Nome
orante da minha infância
sonhos de ver Cultura
de ver avanço;
______Sonho no estômago
das entranhas,
joelhos e
esqueço o verso na Esperança
e o que a mão apalpa,
fluído.

12.5.09

(in)concluso

para ilka

ilka já disse que ele disse
dizer quando diz sua fala:
silêcio

(ilka diz)

gilson, 
deixa de trauma
ilka já disse
deixa de manha
ilka já disse
disse?

"então ele se põe de pé 
para tela do computador quando espera
pela espera que inspira aquela
(nele) costura e
quando interroga o real"

e não termina o poema.

11.5.09

olhar a face





#

Santo Sudário sempre desconcertou-me: nenhum carbono o explica bem. 

#

addendum


"Que raízes são essas que se arraigam, que ramos se esgalham
Nessa imundície pedregosa? Filho do homem,
Não podes dizer, ou sequer estimas, porque apenas conheces
Um feixe de imagens fraturadas, batidas pelo sol,
E as árvores mortas já não mais te abrigam, nem te consola o canto dos grilos,
E nenhum rumor de água a latejar na pedra seca. Apenas
Uma sombra medra sob esta rocha escarlate.
(Chega-te à sombra desta rocha escarlate),
E vou mostrar-te algo distinto
De tua sombra a caminhar atrás de ti quando amanhece
Ou de tua sombra vespertina ao teu encontro se elevando;

Vou revelar-te o que é o medo num punhado de pó."

the wast land, t. s. eliot, enterro dos mortos,
 trad. ivan junqueira

10.5.09

com o V

poesia desem(p)licatória   

Para Velimir Klébnikov
Veias, vaias, vou:
guio o distante
instante
e digo que vaia
velhos:

cegos – e a deselegância – 
para dizer  V.
Voto, vara, veias:
vatapá (azeite)
forço,
e repito no ritmo,
forçado:

e velas para ela,
a Imaculada,
sim

5.5.09

Roubai todo meu sentido...

Pois com entranhas de Mãe
Quereis de mim ser comido,
Roubai todo meu sentido
Para vós 

Ao Santíssimo Sacramento,
Pe. José Anchieta de Portinari

4.5.09

estudo












22.4.09

oficio do tempo

na esquina sino que
repete aos mesmos
de antes, 
..............ontem e
amanhã,
recado ao tempo
para Oficio do tempo, 
com tambores,
..............ou flauta 
ou oboé.

sorri,
digo, 
sorri


não te cansas do mesmo?
(tédio)
não te cansas?
(tédio)
cansas?
(tédio)

louvo-O e
Ele me quebra os ossos,
me amolece os ossos,
Ele.

e
a hora anunciada,
sigamos.

PARA QUE NUVENS NÃO PASSEM BRANCAS


> No dia 21 do mês de Março, dia internacional da Poesia instituído UNESCO-ONU, fiz palestra no CEPA (círculo de estudo pensamento e ação): A apresentação chamou-se  Comentários à Poesia de Ezra Pound. Passado alguns sábados, o professor Germano Machado, padrinho querido, professor aposentado pela UFBA e Universidade Católica, o então presidente do CEPA, deu por justo oferecer certificado -- pelo modo de título -- pela palestra que proferi sobre EZRA POUND.


> Participei de exposição no Museu Rodin da Bahia em 17/IV, às 16:00, com o trabalho porque o amor é forte, é como a morte. A exposição foi fechada com recital de Poesia que abri recitando Velimir Khlébnikov (1885- 1922) seguido dos demais artistas expostos.

14.4.09

elegia para abril


abril
despedaço-me 

sem kadaré
 
pontes que se
ligam com
outro lado
arcos da ponte
ao lado:
nozes afagos
perfume?


o rapaz que 
não esqueçe:

(fios a fenecer
 fêmea que 
começa a 
envelhecer)

e tem  folha
       ora

acordar cedo
agora
 
e rasga o 
recado que
acaba o mês 
dos fracassos
dos acasos
dos afagos no

travesseiro 
abandonado.

só aos ratos
aos trapos
aos farrapos:
sim é Abril.
sem Amor

diz a porta que

tranca a casa
:
abriu, abril.

10.4.09

Jan van Eyck


#

1.

Pela cabeça mistérios:
turbante
red.

Vos revelo meu segredo,

Yo soy un hombre.

Outro ainda vos escondo,
Quem dobrou meu turbante?

2.


Casas, lojas,
Poços, Moinhos:
Nomes em Von
Ou Maria,
sete notas repetidas,
e bilhete de partida.


3.

– Ivan, qual o teu nome?

– Sossego, Ivan responde.

– Ivan, qual teu segredo?

– Vermelho, não te escondo.


4.

No turbante, 

dobras e cores.
Rot Red Rouge: 

amores.

4.4.09

Sonnet XII





#

When I do count the clock that tells the time,
And see the brave day sunk in hideous night;
When I behold the violet past prime,
And sable curls, all silver'd o'er with white;
When lofty trees I see barren of leaves,
Which erst from heat did canopy the heart ,
And summer's green all girded up in sheaves,
Borne on the bier with white and bristly beard;
Then of thy beauty do I question make,
That thou among the wastes of time must go,
Since sweets and beauties do themselves forsake,
And die as fast as they see others grow;
__And nothing 'gainst Time's scythecan make hence.
__Save breed, to brave him when he takes thee.
sxp.

3.4.09

!!

:yo não suporto isso de Nietzsche
& SEUS CHILIQUES de papai & mamãe
com meus traumas
de Deus & diabos
na terra sem Sol em Buñuel

#

ou,
ter culhão para dizer:
Deus está alí, aqui, acolá
& quer ser amado,
de fraldas de papel [sujas] em
btume & arabios

#

and,
no posso aturar esse papo de depois yo respondo,
sim,
não mais
.

27.3.09

Outdoor


Há na Bahia, para quem parte da Univerdade Católica em direção ao cemitério da federação ou como eu, para ao corredor da Vitória, o tal Campo Santo, uma ladeira de nome igual a este. No meio dela, para quem passa de ônibus ou carro, se dá observar um outdoor que diz, em pinche, no espaço em branco, algo como:

“vendo esse espaço vazio”

Naturalmente, quem vende não é o responsável pelo Outdoor em questão. Trata-se, todavia, de um irreverente pichador & de inteligência igualmente irreverente.

É interessante ver como a Bahia, até no mais corriqueiro, nos faz refletir uma questão séria: a quem pertence o espaço publico? Pode- se vender algo no espaço publico sem, de certo modo, ofender quem reivindica o estar-publico nesse mesmo espaço?
Fico com questão dele...

25.3.09

21.3.09

e o moinho no corredor da sala


e o moinho no corredor da sala
biblioteca: corredor-moinho,
portas, sandálias e vento
Que’u não vencia ao ver
vinho ou vizinho. 

Poesia, janelas,
Certo Conde Prozac me faz delirar com o azul da saia dela.
Nela dentro e fora a roda do moinho gira
Ao lado, o moinho, afora: afoga
ar poeira ninho,
e moía imagens
De prazer e desalinho,
Teima na forma
do lado oposto da
rua
Esquerda e direita
Da sala:
.............livro-moinho

20.3.09

*כִּי-עַזָּה כַמָּוֶת אַהֲבָהכִּי-עַזָּה כַמָּוֶת אַהֲבָה


O conceito é de dupla evocação: se a pós-modernidade é época de dissoluções, é sobretudo época de convergências também. Lugar de heterodoxismos, polifonia, no dizer de M. Baktin em outro contexto onde aqui pela esquina do absurdo, Surrealismo encontra o Barroco, num mesmo trabalho de colagem, como sugerido pela professora Valécia Ribeiro.

Há o Transbarroco como superação do Barroco, além Barroco, no meio do processo: infelizmente diferente da minha proposta. Proponho nessa obra algo como o Surrealismo (Max Ernest, especialmente in Floresta com Sol, 1925) que atravessa o Barroco. Aquilo do Sol e da Lua na mesma paisagem morta, envolta em trevas, Claro e Escuro, Dia e Noite que também é a um só tempo o sepultamento do coração enquanto romantismo ou para ser mais preciso, pieguismo. De onde o paradoxo Vida e Morte e toda a problemática daquela “pérola imperfeita” reclamando à Arte mesmo seu locus de “teatro sacrum.”

Daí há uma terceira evocação, entrecortada enquanto crítica, algo igualmente comum aos pós-modernos, incapazes do originalmente novo evocar no seu Fazer: dupla critica. Surreal, penso, é paisagem de Sol e Lua: metáfora igualmente das dicotomias Barrocas que se me atravessa o crânio, como no delírio do Amor, do Amante.
 
*(Por que o amor é forte é como a morte Ct. 8,6)

10.3.09

Escrevam na lápide da minha Tumba:

AMOV ATÉ ENLOVQUECER
depois que louco amar outra vez decidira

quem dá  poder também tira.

O amor deu: tumba e espera.
o amor tirou o que jamais dera:
Ela.
 Que para mim não é como Tumba
fria onde mortos em espera
aguardam Quem faz levantar:
como flores desabrocham com a relva,
porque foi morte e semente
na escura terra. 


9.3.09

julgamento para Van Gogh


 .
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agora preparo um Julgamento para Van Gogh:
mar adendo, mar adentro...
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19.2.09

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Sol Lewitt que me perdoe.
Nada é mais interessante que a dicção de Valécia Ribeiro.
(Tarde),  Museu Rodin, Salvador -Bahia.

13.2.09





#


Ouço Bach da janela do CD
que é capa e
ouço
a caixa ou cortina e porta

aberto: meus ouvidos enxergam uma nota
que palavra não rouba
__________________ou decalca.
e tem meta.
e alcanço o avesso,
retalhos. Retalhos.
Ouço orações
nelas,
1.000 datas se repetem
_____________________em espera.
e ouço Bach



3.2.09

Do que buscamos...

O que gostamos e queremos é Poesia. O que a Poesia é não sabemos: talvez os arqueólogos saibam... O que eles sabem é aquilo que as escavações apontam: para Poeira, sobretudo.


A poesia (desconfiamos) é a Vida. A Vida não se deixa encobrir no Tempo. A Vida está aí e sempre esteve aí. A Vida jamais nunca-aqui-não-esteve. É dela que o poema frui. O homem faz poesia porque é no Poema que a vida acontece como Vida mesmo: Habitamos na beleza e no Horror de estar no mundo.

Sem Poesia (a Vida) é tediosa; por isso que para Hölderlin a Poesia é uma categoria Humana. Por isso as crianças brincam nos parques da Bahia ou de Belo Horizonte , por isso uma mãe ama seu filho e um pai trabalha para sustentar sua prole, por isso ( realmente) o divino ilumina o que criou: ora seu Fazer é Poiesis num grau que não mais podemos compreender ou jamais compreendamos: o mistério é da Palavra que Cria. Do Verbo que se encarnou em Carne.


Do Amor que é o que é graças ao que imita, o Sagrado.

1.2.09

Aquilo de André Bonnard: "Píndaro, princípe dos poetas e poeta dos princípes"

Πίνδαρος
θραύσμα 127 (ed. Maehler)

Εἴη καὶ ἐρᾶν καὶ ἔρωτι
χαρίζεσθαι κατὰ καιρόν·
μὴ πρεσβυτέραν ἀριθμοῦ
δίωκε, θυμέ, πρᾶξιν.

Alfredo Rezende (trad.)
Fragmento 127


Que amar, assim como ao amor
recompensar, seja ao seu tempo;
demais, coração, não persigas
um já envelhecido intento.

18.1.09

Confúcio e Confúcio




"...Quando a água é funda, caminhe devagar; quando é rasa, erga seu trage e caminhe."
O Mestre disse: " ele é muito decidido, de fato. Contra tal determinação, não pode haver qualquer argumento."

Os Analectos, livro XIV, 39.

17.1.09

1.000 anos de orações



1.000 anos de orações sobreviverá 1.000 anos. Não. Sobreviverá alias, no eterno e somente lá, nesse tempo ilimitado, alcançará fruição. É que o amor tem seu tempo onde o tempo não tem pressa e é lá que se dá pelo que fica no que passou e no que não pode passar.

A tradição diz o Número porque nosso cérebro necessita da referencia. No entanto, é no Tempo que não tem Tempo que o amor tem seu Lugar-dinâmico: cria intervalos. Traz consigo os segredos, a frieza do silêncio mal interpretado; traz quase sempre o medo do Novo, pois é óbvio que o choque duma formação n'um lugar diferente não rouba a essência da formação poética dum lugar onde geografia não alcança um locus definitivo. Algumas raízes só mais se fortalecem na transitoriedade do seu estar (que é movimento) a saber.

Sua poética acena para uma desterritorialização bastante particular no seu Universo de Beleza e sossego. Vale a pena conferir essa película onde tempo radicalmente não descansa.

1.000 outras coisas tenta 1.000 anos de oração à meditação: porém, muito do que vivemos, ainda está no campo do indizível para recordar Rilk. 

Há um modo muito particular para dizer Beleza tão sutil qto p. ex. o pensar de Duns Scotus, que, alí mesmo, o contemplar resolve a inquietação, a tentação do dizer que nunca traduz o dizer: tem mística no filme.

1.000 anos de paciência é o que recomenda-se...

2.1.09

meditação para são bento


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silencio o silêncio e no silêncio silencio me.

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27.12.08

Tema do Poema




#
"..........................................................
mas a poesia acontece na línguagem,
porque esta guarda essencia original da Poesia.."
Martin Heidegger,
Origem da Obra de Arte

Ou o tema do Poema
onde a vaca caminha
e bode verseja
seu cheiro de estrume
que invade a pena
e fica o poema
que não é poema.


Ou feito à pena,
 
digito.

"ritimos em ema
e rema ou Nada, 
o tudo-nada.
Afoga,
O Poema, do papel e da Vaca
pequena sim, 

a rima, a forma ou
SEUS PROBLEMAS"

e que autoriza o Poeta.
(signo)
DO papel 

OU vaca 
e pena.