27.9.15

FIM DO MUNDO

Cada tempo tem o
seu próprio e 
íntimo fim
para o Mundo.
Foi assim em 1945.


Tememos mais 
um conflito 
nuclear:
o mais terrível 
final
para o mundo
precisará ser 
outro
conflito nuclear?

16.9.15

O ameno fato terrível, Adélia Prado

O que mais me lembra o Juízo
é um jardim ao meio-dia,
um jardim de rosas.
Cheirava-as como – descobri depois –
se cheira os homens,
odoroso mistério.
Um jardim caipira, o da minha casa,
140 estrelas do norte, cravinas, uma flor rosada
que desabrochava em pencas e até hoje só vi
nos canteiros dos pobres.
E rosas, rosas, rosas, o modo de minha mãe virar rainha:
‘para mim a rosa é a primeira das flores’.
Quando Deus vier,
quem nunca se permitiu a consolação das flores,
será tomado de uma ânsia de vômito;
porque o sinal será um perfume de rosas,
um perfume intensíssimo
um odor tal que transtornará o tempo
e atrairá os demônios exsudando ira.
O que mais me lembra o Juízo
é um jardim ao meio-dia,
um jardim de rosas.

7.9.15

Apocalipse, Orides Fontela

Uma estrela
atrai
a luz

uma estrela
suga
o resto do
resto, o
silêncio

elide os deuses, im
plode

acaba morre
finalíssi
mamente.

4.9.15

O Fim do Mundo, João Cabral de Melo Neto

No fim do Mundo melancólico
os homens lêem jornais.
Homens indiferentes a comer laranjas
que ardem como o sol.

Me deram uma maçã para lembrar
a morte. Sei que cidades telegrafam
pedindo querosene. O véu que olhei voar
caiu no deserto.

O poema final ninguém escreverá
desse mundo particular de doze horas.
Em vez de juízo final a mim me preocupa
o sonho final.