27.8.11
22.8.11
Soneto Já Antigo
Olha, Daisy: quando eu morrer tu hás de
dizer aos meus amigos aí de Londres,
embora não o sintas, que tu escondes
a grande dor da minha morte. Irás de
Londres p'ra Iorque, onde nasceste (dizes...
que eu nada que tu digas acredito),
contar àquele pobre rapazito
que me deu tantas horas tão felizes,
Embora não o saibas, que morri...
mesmo ele, a quem eu tanto julguei amar,
nada se importará... Depois vai dar
a notícia a essa estranha Cecily
que acreditava que eu seria grande...
Raios partam a vida e quem lá ande!
dizer aos meus amigos aí de Londres,
embora não o sintas, que tu escondes
a grande dor da minha morte. Irás de
Londres p'ra Iorque, onde nasceste (dizes...
que eu nada que tu digas acredito),
contar àquele pobre rapazito
que me deu tantas horas tão felizes,
Embora não o saibas, que morri...
mesmo ele, a quem eu tanto julguei amar,
nada se importará... Depois vai dar
a notícia a essa estranha Cecily
que acreditava que eu seria grande...
Raios partam a vida e quem lá ande!
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21.8.11
15.8.11
contra-corrente.
para dizer
o modo
exato
de como
seguir
aquilo
ou
pelo modo
de ser o
mote
que a palavra
diz
(o que é)
então
ela
reporta
ela
mes-
ma
dita
ou a di-
ta
palavra
no mov
mento de
entra-da
e toda
iden-
tica
na saí-
da.
o modo
exato
de como
seguir
aquilo
ou
pelo modo
de ser o
mote
que a palavra
diz
(o que é)
então
ela
reporta
ela
mes-
ma
dita
ou a di-
ta
palavra
no mov
mento de
entra-da
e toda
iden-
tica
na saí-
da.
11.8.11
Argumento em Duns Scotus (Opus Oxoniense IV, d. 43, q. 2) sobre a felicidade, sobre a imortalidade também.
"Ademais, é conhecido naturalmente que uma espécie inteira não é carente de seu fim. Pelo menos este é atingido em algum indivíduo. Ora, é conhecido naturalmente que a felicidade é o fim da espécie humana. Portanto, é também conhecido naturalmente que o homem pode consegui-la pelo menos em algum indivíduo. Ora, não pode consegui-la nesta vida por causa de múltiplas misérias que a acompanham, tais como as vicissitudes da fortuna, a fraqueza do corpo, a imperfeição do saber e da virtude, a instabilidade e fadiga no exercicio do ato de perfeição. De tal maneira que nenhuma operação, por mais que seja agradável no início, pode ser sempre agradável. Até mesmo, se ela se torna fastidiosa, será agrádavel cessá-la. Ora, é conhecido pela razão natural que a operação que torna o homem feliz não é desagradável nem pode ser possuída apenas pela alma separada do corpo, pois em tal caso o homem não atingiria o seu fim. Portanto, será possuída noutra vida e pelo todo conjunto de corpo e alma. Parece, por conseguinte, que pela razão natural se conclui, pelo menos, em que coisas o homem alcança o seu fim."
9.8.11
+ 1 poema c/ lrp,. da cidade. sobre a cidade.
#
a cidade é um dia de chuva
me ocorre o refúgio dos parapeitos
me ocorre a chuva e a cidade, me ocorre
um verão menor a sobrevir
vir o sol e o dia, vir
ameno, à boca de boas novas,
a cidade é um dia de contas:
é amorfo o calendário das mudanças,
é um rio a cidade ou um dia de chuva.
a cidade é um dia de chuva
me ocorre o refúgio dos parapeitos
me ocorre a chuva e a cidade, me ocorre
um verão menor a sobrevir
vir o sol e o dia, vir
ameno, à boca de boas novas,
a cidade é um dia de contas:
é amorfo o calendário das mudanças,
é um rio a cidade ou um dia de chuva.
6.8.11
3.8.11
A Carta, Mario Quintana
Hoje encontrei dentro de um livro uma velha carta amarelecida,
Rasguei-a sem procurar ao menos saber de quem seria...
Eu tenho um medo
Horrível
A essas marés montantes do passado,
Com suas quilhas afundadas, com
Meus sucessivos cadáveres amarrados aos mastros e gáveas...
Ai de mim,
Ai de ti, ó velho mar profundo,
Eu venho sempre à tona de todos os naufrágios!
Rasguei-a sem procurar ao menos saber de quem seria...
Eu tenho um medo
Horrível
A essas marés montantes do passado,
Com suas quilhas afundadas, com
Meus sucessivos cadáveres amarrados aos mastros e gáveas...
Ai de mim,
Ai de ti, ó velho mar profundo,
Eu venho sempre à tona de todos os naufrágios!
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31.7.11
way to go o círculo!
durante o banho eu pensava passar num mercado para levar refrigerantes ou cerveja ou um salgadinho para ver o show do círculo. é que acho tudo muito caro nesses lugares. ir ver o círculo não quer dizer necessariamente entrar para o círculo de gastadores. durante o show precisei administrar uma porção de odores. fumaças que mudavam de textura quando a policia passava: indo do mais natural ao mais industrializado (eu observava os espectadores).
poucas vezes na vida eu tive aquela sensação de estar empurrando minha visão de mundo para outro lugar diferente: alargando assim aquilo que eu acreditava para o mesmo e para outro. a banda o círculo me pareceu bastante religiosa na medida em que uma banda de rock pode ser assim desejada. tal qual santa teresa d'ávila na sua erótica do sagrado nos amplia o ver o mundo empurrando nossas opiniões para outro lugar a banda de rock do concerto no parque da cidade perto da minha casa empurrou meu ver as coisas para muitas outros territórios, inclusive o sagrado, o místico.
o mundo é um círculo e o show era cheio de círculos: um rapaz com uma mochila onde se dava ler pearl jam segurava o dvd do david bowie nas mãos e comentava com os seus algo sobre beleza e qualidade. o rapaz que esbarrou em mim disse que avó dele cantava melhor. era um homem mais velho e pegava latas de cerveja. outros cantavam e falavam de amor e as fumaças seguiam sem nada reclamar. de minha parte tudo pareceu me acenar para a diversidade. um circulo nunca é diverso, é tautológico. esse circulo pareceu me cheio de outros que me remetiam a outros que por sua vez não se satisfaziam com os mesmos dando sempre e mais para outros e outros e outros. ir até o círculo.
poucas vezes na vida eu tive aquela sensação de estar empurrando minha visão de mundo para outro lugar diferente: alargando assim aquilo que eu acreditava para o mesmo e para outro. a banda o círculo me pareceu bastante religiosa na medida em que uma banda de rock pode ser assim desejada. tal qual santa teresa d'ávila na sua erótica do sagrado nos amplia o ver o mundo empurrando nossas opiniões para outro lugar a banda de rock do concerto no parque da cidade perto da minha casa empurrou meu ver as coisas para muitas outros territórios, inclusive o sagrado, o místico.
o mundo é um círculo e o show era cheio de círculos: um rapaz com uma mochila onde se dava ler pearl jam segurava o dvd do david bowie nas mãos e comentava com os seus algo sobre beleza e qualidade. o rapaz que esbarrou em mim disse que avó dele cantava melhor. era um homem mais velho e pegava latas de cerveja. outros cantavam e falavam de amor e as fumaças seguiam sem nada reclamar. de minha parte tudo pareceu me acenar para a diversidade. um circulo nunca é diverso, é tautológico. esse circulo pareceu me cheio de outros que me remetiam a outros que por sua vez não se satisfaziam com os mesmos dando sempre e mais para outros e outros e outros. ir até o círculo.
26.7.11
Anotações, 1942-1948.
#
Dormir ou sonhar, dizeis, e por sonhar, meu príncipe, entendeis sem dúvida mais ou menos o equivalente a viver. Mas se é dormir, é justo que repouseis após tantas insônias no terraço de Elsinor. Em caso de sonhar, porque temeis os sonhos, vós que temeis tão pouco os fantamas?
Dormir ou sonhar, dizeis, e por sonhar, meu príncipe, entendeis sem dúvida mais ou menos o equivalente a viver. Mas se é dormir, é justo que repouseis após tantas insônias no terraço de Elsinor. Em caso de sonhar, porque temeis os sonhos, vós que temeis tão pouco os fantamas?
Marguerite Yourcenar, Peregrina e Estrageira
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marguerite yourcenar
16.7.11
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cristo por são joão da cruz.
26.6.11
1985
e tulipas líricas em 1985
e dizer que estava enlouquecendo desde ontem
ou levitar com o som da voz da amada
quando ela dizia o nome das flores que gostava
para depois os nomes que não.
subir as escadas sem ar
sem ar deixar a moça após o amor
chegar ao clímax da casa e do gozo
do alto a visão das tulipas de 1985
na cama ela desconsertada.
e dizer que estava enlouquecendo desde ontem
ou levitar com o som da voz da amada
quando ela dizia o nome das flores que gostava
para depois os nomes que não.
subir as escadas sem ar
sem ar deixar a moça após o amor
chegar ao clímax da casa e do gozo
do alto a visão das tulipas de 1985
na cama ela desconsertada.
24.6.11
anatômico, e
"...Doravante, quando o homem estremece na alienação e o
mundo o angustia, ele levanta o olhar (para a direita ou
para esquerda, pouco importa) e avista uma imagem... "
Martin Buber, Eu e Tu
Da garganta
_________ao estômago e
até a língua até as pálpebras
lá: na laringe
__da planta nos pés à porta,
chaga - calota - o Nome
orante da minha infância
sonhos de ver Cultura
de ver avanço;
______Sonho no estômago
das entranhas,
joelhos e
o verso esquecido na Esperança
e o que a mão apalpa,
fluído.
18.6.11
3.6.11
26
#
tenho 26 anos agora
tenho meu poema e minha idade
nela escrevi um lema com letras largas:
o número é importante
e a vida também
tenho 26 anos agora
tenho meu poema e minha idade
nela escrevi um lema com letras largas:
o número é importante
e a vida também
2.6.11
Do modo como não se quer a bondade
Y com sua enorme inteligência compreensiva, dedicando-se a não ser humana, no sentido em que ser humana é também ter violências e defeitos. Dedica-se a compreender perdoando os outros. Aquele coração está vazio de mim porque precisa que eu seja admirável. Todos recorrem a ela quando estão com algum conflito e ela, "a consoladora oficial", entende. Minha grande altivez: preciso ser achada na rua.
Clarice Lispector, A Descoberta do Mundo, 14 de junho, 1969.
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Soliloquio XIII
28.5.11
Khliebnikov ou a prefiguração da escultura sonora.
Eu vi
Um vivo
Sol
Ou tom no
Outono
Só no
Sono
Azul.
Enquanto
Do canto
Dos teus calcanhares
Calcas os ares
Para o novelo
Da nebulosa,
Teu cotovelo
Em ângulo alvo
Alteando aos lábios.
Abril,
Abrir
A voz
As provas
De
Deus.
Consonha
Em vôo
Aberto
O abeto,
Colhe os
Olhos
Azuis
Com os laços
Das sobrancelhas
E dos pássaros
Cerúleos.
No anil
Há mil.
1919
Tradução de Augusto de Campos e Boris Schnaiderman
Um vivo
Sol
Ou tom no
Outono
Só no
Sono
Azul.
Enquanto
Do canto
Dos teus calcanhares
Calcas os ares
Para o novelo
Da nebulosa,
Teu cotovelo
Em ângulo alvo
Alteando aos lábios.
Abril,
Abrir
A voz
As provas
De
Deus.
Consonha
Em vôo
Aberto
O abeto,
Colhe os
Olhos
Azuis
Com os laços
Das sobrancelhas
E dos pássaros
Cerúleos.
No anil
Há mil.
1919
Tradução de Augusto de Campos e Boris Schnaiderman
21.5.11
2
repara teu corpo,
tramas de 1 bilhão de hiatos,
diz
é como a bola que a neve lança
é como neve daquela lança
daquela época
daquele infante
repara a dança
repara e canta:
lança teu corpo daquela ponte
diz o teu nome em
tom e
quando cola da neve
cola na lança
o teu corpo
naquela banda
do mundo
repara a dança enquanto diz
a bola a neve
repara a sombra
que deixa bem leve
encanta encanta encanta
repara a prece homem
homem
repara a idade daquela era
lança teu corpo daquela prancha
mergulha, desce, afunda
repara o verso que disse o cego
repara o eco daquele velho
repara o mapa o catalogo
check in
repara. repara.
tramas de 1 bilhão de hiatos,
diz
é como a bola que a neve lança
é como neve daquela lança
daquela época
daquele infante
repara a dança
repara e canta:
lança teu corpo daquela ponte
diz o teu nome em
tom e
quando cola da neve
cola na lança
o teu corpo
naquela banda
do mundo
repara a dança enquanto diz
a bola a neve
repara a sombra
que deixa bem leve
encanta encanta encanta
repara a prece homem
homem
repara a idade daquela era
lança teu corpo daquela prancha
mergulha, desce, afunda
repara o verso que disse o cego
repara o eco daquele velho
repara o mapa o catalogo
check in
repara. repara.
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##,
liturgia do corpo,
para rito
28.4.11
O mar é meu, creiam. ---------------- o mar é meu, creiam.
É seu o mar, ------ é seu o mar,
dele o mar é -------------------- dele o mar é
como o mar --------- como o mar
que era seu que era seu
e é dele ------------------------------------------ e é dele
o mar é quanto o mar é quanto
------------------------------o mar pertença o mar pertença
ao dia ao dia ao dia ao dia ao dia ao dia ao dia ao dia ao dia
o mar é meu. ----- o mar é meu. -------------- o mar é meu.
18.4.11
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