14.4.09
elegia para abril
abril
despedaço-me
sem kadaré
pontes que se
ligam com
outro lado
arcos da ponte
ao lado:
nozes afagos
perfume?
o rapaz que
não esqueçe:
(fios a fenecer
fêmea que
começa a
envelhecer)
e tem folha
ora
acordar cedo
agora
e rasga o
recado que
acaba o mês
dos fracassos
dos acasos
dos afagos no
travesseiro
abandonado.
só aos ratos
aos trapos
aos farrapos:
sim é Abril.
sem Amor
diz a porta que
tranca a casa
:
abriu, abril.
10.4.09
Jan van Eyck
#
1.turbante red.
Vos revelo meu segredo,
Yo soy un hombre.
Outro ainda vos escondo,
Quem dobrou meu turbante?
2.
Casas, lojas,
Poços, Moinhos:
Nomes em Von
Ou Maria,
sete notas repetidas,
e bilhete de partida.
3.
– Ivan, qual o teu nome?
– Sossego, Ivan responde.
– Ivan, qual teu segredo?
– Vermelho, não te escondo.
4.
No turbante,
dobras e cores.
Rot Red Rouge:
amores.
– Ivan, qual o teu nome?
– Sossego, Ivan responde.
– Ivan, qual teu segredo?
– Vermelho, não te escondo.
4.
No turbante,
dobras e cores.
Rot Red Rouge:
amores.
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nome: de turbante
4.4.09
Sonnet XII

#
When I do count the clock that tells the time,
And see the brave day sunk in hideous night;
When I behold the violet past prime,
And sable curls, all silver'd o'er with white;
When lofty trees I see barren of leaves,
Which erst from heat did canopy the heart ,
And summer's green all girded up in sheaves,
Borne on the bier with white and bristly beard;
Then of thy beauty do I question make,
That thou among the wastes of time must go,
Since sweets and beauties do themselves forsake,
And die as fast as they see others grow;
__And nothing 'gainst Time's scythecan make hence.
__Save breed, to brave him when he takes thee.
sxp.
3.4.09
!!
:yo não suporto isso de Nietzsche
& SEUS CHILIQUES de papai & mamãe
com meus traumas
de Deus & diabos
na terra sem Sol em Buñuel
#
ou,
ter culhão para dizer:
Deus está alí, aqui, acolá
& quer ser amado,
de fraldas de papel [sujas] em
btume & arabios
#
and,
no posso aturar esse papo de depois yo respondo,
sim,
não mais
.
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pós-moderno,
pós-útopico ou pós-c...?
27.3.09
Outdoor
Há na Bahia, para quem parte da Univerdade Católica em direção ao cemitério da federação ou como eu, para ao corredor da Vitória, o tal Campo Santo, uma ladeira de nome igual a este. No meio dela, para quem passa de ônibus ou carro, se dá observar um outdoor que diz, em pinche, no espaço em branco, algo como:
“vendo esse espaço vazio”
Naturalmente, quem vende não é o responsável pelo Outdoor em questão. Trata-se , todavia, de um irreverente pichador & de inteligência igualmente irreverente.
É interessante ver como a Bahia, até no mais corriqueiro, nos faz refletir uma questão séria: a quem pertence o espaço publico? Pode- se vender algo no espaço publico sem, de certo modo, ofender quem reivindica o estar-publico nesse mesmo espaço?
Fico com questão dele...
25.3.09
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LETÍCIA AVELAR
21.3.09
e o moinho no corredor da sala
e o moinho no corredor da sala
biblioteca: corredor-moinho,
portas, sandálias e vento
Que’u não vencia ao ver
vinho ou vizinho.
portas, sandálias e vento
Que’u não vencia ao ver
vinho ou vizinho.
Poesia, janelas,
Certo Conde Prozac me faz delirar com o azul da saia dela.
Nela dentro e fora a roda do moinho gira
Ao lado, o moinho, afora: afoga
ar poeira ninho,
e moía imagens
De prazer e desalinho,
Teima na forma
do lado oposto da
Certo Conde Prozac me faz delirar com o azul da saia dela.
Nela dentro e fora a roda do moinho gira
Ao lado, o moinho, afora: afoga
ar poeira ninho,
e moía imagens
De prazer e desalinho,
Teima na forma
do lado oposto da
rua
Esquerda e direita
Da sala:
.............livro-moinho
Esquerda e direita
Da sala:
.............livro-moinho
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as coisas com solidão
20.3.09
*כִּי-עַזָּה כַמָּוֶת אַהֲבָהכִּי-עַזָּה כַמָּוֶת אַהֲבָה
O conceito é de dupla evocação: se a pós-modernidade é época de dissoluções, é sobretudo época de convergências também. Lugar de heterodoxismos, polifonia, no dizer de M. Baktin em outro contexto onde aqui pela esquina do absurdo, Surrealismo encontra o Barroco, num mesmo trabalho de colagem, como sugerido pela professora Valécia Ribeiro.
Há o Transbarroco como superação do Barroco, além Barroco, no meio do processo: infelizmente diferente da minha proposta. Proponho nessa obra algo como o Surrealismo (Max Ernest, especialmente in Floresta com Sol, 1925) que atravessa o Barroco. Aquilo do Sol e da Lua na mesma paisagem morta, envolta em trevas, Claro e Escuro, Dia e Noite que também é a um só tempo o sepultamento do coração enquanto romantismo ou para ser mais preciso, pieguismo. De onde o paradoxo Vida e Morte e toda a problemática daquela “pérola imperfeita” reclamando à Arte mesmo seu locus de “teatro sacrum.”
Daí há uma terceira evocação, entrecortada enquanto crítica, algo igualmente comum aos pós-modernos, incapazes do originalmente novo evocar no seu Fazer: dupla critica. Surreal, penso, é paisagem de Sol e Lua: metáfora igualmente das dicotomias Barrocas que se me atravessa o crânio, como no delírio do Amor, do Amante.
*(Por que o amor é forte é como a morte Ct. 8,6)
10.3.09
Escrevam na lápide da minha Tumba:
AMOV ATÉ ENLOVQUECER
depois que louco amar outra vez decidira
quem dá poder também tira.
O amor deu: tumba e espera.
o amor tirou o que jamais dera:
Ela.
Que para mim não é como Tumba
Que para mim não é como Tumba
fria onde mortos em espera
aguardam Quem faz levantar:
como flores desabrocham com a relva,
porque foi morte e semente
na escura terra.
9.3.09
julgamento para Van Gogh
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.
.agora preparo um Julgamento para Van Gogh:
mar adendo, mar adentro...
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. 19.2.09
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. Sol Lewitt que me perdoe.
Nada é mais interessante que a dicção de Valécia Ribeiro.
(Tarde), Museu Rodin, Salvador -Bahia.
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#,
valécia ribeiro
13.2.09

#
Ouço Bach da janela do CD
que é capa e
ouço
a caixa ou cortina e porta
aberto: meus ouvidos enxergam uma nota
que palavra não rouba
__________________ou decalca.
e tem meta.
e alcanço o avesso,
retalhos. Retalhos.
Ouço orações
nelas,
1.000 datas se repetem
_____________________em espera.
e ouço Bach
que é capa e
ouço
a caixa ou cortina e porta
aberto: meus ouvidos enxergam uma nota
que palavra não rouba
__________________ou decalca.
e tem meta.
e alcanço o avesso,
retalhos. Retalhos.
Ouço orações
nelas,
1.000 datas se repetem
_____________________em espera.
e ouço Bach
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bach,
santa teresa d'avila
3.2.09
Do que buscamos...
O que gostamos e queremos é Poesia. O que a Poesia é não sabemos: talvez os arqueólogos saibam... O que eles sabem é aquilo que as escavações apontam: para Poeira, sobretudo.
A poesia (desconfiamos) é a Vida. A Vida não se deixa encobrir no Tempo. A Vida está aí e sempre esteve aí. A Vida jamais nunca-aqui-não-esteve. É dela que o poema frui. O homem faz poesia porque é no Poema que a vida acontece como Vida mesmo: Habitamos na beleza e no Horror de estar no mundo.
Sem Poesia (a Vida) é tediosa; por isso que para Hölderlin a Poesia é uma categoria Humana. Por isso as crianças brincam nos parques da Bahia ou de Belo Horizonte , por isso uma mãe ama seu filho e um pai trabalha para sustentar sua prole, por isso ( realmente) o divino ilumina o que criou: ora seu Fazer é Poiesis num grau que não mais podemos compreender ou jamais compreendamos: o mistério é da Palavra que Cria. Do Verbo que se encarnou em Carne.
Do Amor que é o que é graças ao que imita, o Sagrado.
Do Amor que é o que é graças ao que imita, o Sagrado.
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do que buscamos
1.2.09
Aquilo de André Bonnard: "Píndaro, princípe dos poetas e poeta dos princípes"
Πίνδαρος
θραύσμα 127 (ed. Maehler)
θραύσμα 127 (ed. Maehler)
Εἴη καὶ ἐρᾶν καὶ ἔρωτι
χαρίζεσθαι κατὰ καιρόν·
μὴ πρεσβυτέραν ἀριθμοῦ
δίωκε, θυμέ, πρᾶξιν.
Alfredo Rezende (trad.)
Fragmento 127
Que amar, assim como ao amor
recompensar, seja ao seu tempo;
demais, coração, não persigas
um já envelhecido intento.
Fragmento 127
Que amar, assim como ao amor
recompensar, seja ao seu tempo;
demais, coração, não persigas
um já envelhecido intento.
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com a permissão do autor-tradutor...
18.1.09
Confúcio e Confúcio

"...Quando a água é funda, caminhe devagar; quando é rasa, erga seu trage e caminhe."
O Mestre disse: " ele é muito decidido, de fato. Contra tal determinação, não pode haver qualquer argumento."
Os Analectos, livro XIV, 39.
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lembrando a aula ontem: budismo et caterva
17.1.09
1.000 anos de orações
1.000 anos de orações sobreviverá 1.000 anos. Não. Sobreviverá alias, no eterno e somente lá, nesse tempo ilimitado, alcançará fruição. É que o amor tem seu tempo onde o tempo não tem pressa e é lá que se dá pelo que fica no que passou e no que não pode passar.
A tradição diz o Número porque nosso cérebro necessita da referencia. No entanto, é no Tempo que não tem Tempo que o amor tem seu Lugar-dinâmico: cria intervalos. Traz consigo os segredos, a frieza do silêncio mal interpretado; traz quase sempre o medo do Novo, pois é óbvio que o choque duma formação n'um lugar diferente não rouba a essência da formação poética dum lugar onde geografia não alcança um locus definitivo. Algumas raízes só mais se fortalecem na transitoriedade do seu estar (que é movimento) a saber.
Sua poética acena para uma desterritorialização bastante particular no seu Universo de Beleza e sossego. Vale a pena conferir essa película onde tempo radicalmente não descansa.
1.000 outras coisas tenta 1.000 anos de oração à meditação: porém, muito do que vivemos, ainda está no campo do indizível para recordar Rilk.
Há um modo muito particular para dizer Beleza tão sutil qto p. ex. o pensar de Duns Scotus, que, alí mesmo, o contemplar resolve a inquietação, a tentação do dizer que nunca traduz o dizer: tem mística no filme.
1.000 anos de paciência é o que recomenda-se...
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bravo,
kim ki-duc,
mil anos de orações,
na solidão das coisas
2.1.09
meditação para são bento
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. silencio o silêncio e no silêncio silencio me.
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. 27.12.08
Tema do Poema

#
"..........................................................
mas a poesia acontece na línguagem,
porque esta guarda essencia original da Poesia.."
Martin Heidegger,
Origem da Obra de Arte
Ou o tema do Poema
onde a vaca caminha
e bode verseja
seu cheiro de estrume
que invade a pena
e fica o poema
que não é poema.
Ou feito à pena,
digito.
"ritimos em ema
e rema ou Nada,
o tudo-nada.
Afoga,
O Poema, do papel e da Vaca
pequena sim,
a rima, a forma ou
SEUS PROBLEMAS"
Afoga,
O Poema, do papel e da Vaca
pequena sim,
a rima, a forma ou
SEUS PROBLEMAS"
e que autoriza o Poeta.
(signo)
DO papel
OU vaca
e pena.
DO papel
OU vaca
e pena.
26.12.08
Ezra Pound e Pasolini
Os senhores Ezra Pound e Pasolini: recordem a frase do segundo sobre a verdade...
“E, em tua mente, beleza, / Ó Artêmes.”
Os Cantos, CXIII, Trad. JLG
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ezra pound,
posolini
14.12.08
beirut - elephant gun + rilk
#
I, 22
A nós, nos cabe andar.
Mas o tempo, os seus passos,
são mínimos pedaços
do que há de ficar.
É perda pura
tudo o que é pressa;
só nos interessa
o que sempre dura.
Jovem, não há virtude na velocidade
e no vôo, aonde for.
Tudo é quietude:
escuro e claridade,
livro e flor.
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