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a cidade é um dia de chuva
me ocorre o refúgio dos parapeitos
me ocorre a chuva e a cidade, me ocorre
um verão menor a sobrevir
vir o sol e o dia, vir
ameno, à boca de boas novas,
a cidade é um dia de contas:
é amorfo o calendário das mudanças,
é um rio a cidade ou um dia de chuva.
9.8.11
6.8.11
3.8.11
A Carta, Mario Quintana
Hoje encontrei dentro de um livro uma velha carta amarelecida,
Rasguei-a sem procurar ao menos saber de quem seria...
Eu tenho um medo
Horrível
A essas marés montantes do passado,
Com suas quilhas afundadas, com
Meus sucessivos cadáveres amarrados aos mastros e gáveas...
Ai de mim,
Ai de ti, ó velho mar profundo,
Eu venho sempre à tona de todos os naufrágios!
Rasguei-a sem procurar ao menos saber de quem seria...
Eu tenho um medo
Horrível
A essas marés montantes do passado,
Com suas quilhas afundadas, com
Meus sucessivos cadáveres amarrados aos mastros e gáveas...
Ai de mim,
Ai de ti, ó velho mar profundo,
Eu venho sempre à tona de todos os naufrágios!
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31.7.11
way to go o círculo!
durante o banho eu pensava passar num mercado para levar refrigerantes ou cerveja ou um salgadinho para ver o show do círculo. é que acho tudo muito caro nesses lugares. ir ver o círculo não quer dizer necessariamente entrar para o círculo de gastadores. durante o show precisei administrar uma porção de odores. fumaças que mudavam de textura quando a policia passava: indo do mais natural ao mais industrializado (eu observava os espectadores).
poucas vezes na vida eu tive aquela sensação de estar empurrando minha visão de mundo para outro lugar diferente: alargando assim aquilo que eu acreditava para o mesmo e para outro. a banda o círculo me pareceu bastante religiosa na medida em que uma banda de rock pode ser assim desejada. tal qual santa teresa d'ávila na sua erótica do sagrado nos amplia o ver o mundo empurrando nossas opiniões para outro lugar a banda de rock do concerto no parque da cidade perto da minha casa empurrou meu ver as coisas para muitas outros territórios, inclusive o sagrado, o místico.
o mundo é um círculo e o show era cheio de círculos: um rapaz com uma mochila onde se dava ler pearl jam segurava o dvd do david bowie nas mãos e comentava com os seus algo sobre beleza e qualidade. o rapaz que esbarrou em mim disse que avó dele cantava melhor. era um homem mais velho e pegava latas de cerveja. outros cantavam e falavam de amor e as fumaças seguiam sem nada reclamar. de minha parte tudo pareceu me acenar para a diversidade. um circulo nunca é diverso, é tautológico. esse circulo pareceu me cheio de outros que me remetiam a outros que por sua vez não se satisfaziam com os mesmos dando sempre e mais para outros e outros e outros. ir até o círculo.
poucas vezes na vida eu tive aquela sensação de estar empurrando minha visão de mundo para outro lugar diferente: alargando assim aquilo que eu acreditava para o mesmo e para outro. a banda o círculo me pareceu bastante religiosa na medida em que uma banda de rock pode ser assim desejada. tal qual santa teresa d'ávila na sua erótica do sagrado nos amplia o ver o mundo empurrando nossas opiniões para outro lugar a banda de rock do concerto no parque da cidade perto da minha casa empurrou meu ver as coisas para muitas outros territórios, inclusive o sagrado, o místico.
o mundo é um círculo e o show era cheio de círculos: um rapaz com uma mochila onde se dava ler pearl jam segurava o dvd do david bowie nas mãos e comentava com os seus algo sobre beleza e qualidade. o rapaz que esbarrou em mim disse que avó dele cantava melhor. era um homem mais velho e pegava latas de cerveja. outros cantavam e falavam de amor e as fumaças seguiam sem nada reclamar. de minha parte tudo pareceu me acenar para a diversidade. um circulo nunca é diverso, é tautológico. esse circulo pareceu me cheio de outros que me remetiam a outros que por sua vez não se satisfaziam com os mesmos dando sempre e mais para outros e outros e outros. ir até o círculo.
26.7.11
Anotações, 1942-1948.
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Dormir ou sonhar, dizeis, e por sonhar, meu príncipe, entendeis sem dúvida mais ou menos o equivalente a viver. Mas se é dormir, é justo que repouseis após tantas insônias no terraço de Elsinor. Em caso de sonhar, porque temeis os sonhos, vós que temeis tão pouco os fantamas?
Dormir ou sonhar, dizeis, e por sonhar, meu príncipe, entendeis sem dúvida mais ou menos o equivalente a viver. Mas se é dormir, é justo que repouseis após tantas insônias no terraço de Elsinor. Em caso de sonhar, porque temeis os sonhos, vós que temeis tão pouco os fantamas?
Marguerite Yourcenar, Peregrina e Estrageira
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marguerite yourcenar
16.7.11
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cristo por são joão da cruz.
26.6.11
1985
e tulipas líricas em 1985
e dizer que estava enlouquecendo desde ontem
ou levitar com o som da voz da amada
quando ela dizia o nome das flores que gostava
para depois os nomes que não.
subir as escadas sem ar
sem ar deixar a moça após o amor
chegar ao clímax da casa e do gozo
do alto a visão das tulipas de 1985
na cama ela desconsertada.
e dizer que estava enlouquecendo desde ontem
ou levitar com o som da voz da amada
quando ela dizia o nome das flores que gostava
para depois os nomes que não.
subir as escadas sem ar
sem ar deixar a moça após o amor
chegar ao clímax da casa e do gozo
do alto a visão das tulipas de 1985
na cama ela desconsertada.
24.6.11
anatômico, e
"...Doravante, quando o homem estremece na alienação e o
mundo o angustia, ele levanta o olhar (para a direita ou
para esquerda, pouco importa) e avista uma imagem... "
Martin Buber, Eu e Tu
Da garganta
_________ao estômago e
até a língua até as pálpebras
lá: na laringe
__da planta nos pés à porta,
chaga - calota - o Nome
orante da minha infância
sonhos de ver Cultura
de ver avanço;
______Sonho no estômago
das entranhas,
joelhos e
o verso esquecido na Esperança
e o que a mão apalpa,
fluído.
18.6.11
3.6.11
26
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tenho 26 anos agora
tenho meu poema e minha idade
nela escrevi um lema com letras largas:
o número é importante
e a vida também
tenho 26 anos agora
tenho meu poema e minha idade
nela escrevi um lema com letras largas:
o número é importante
e a vida também
2.6.11
Do modo como não se quer a bondade
Y com sua enorme inteligência compreensiva, dedicando-se a não ser humana, no sentido em que ser humana é também ter violências e defeitos. Dedica-se a compreender perdoando os outros. Aquele coração está vazio de mim porque precisa que eu seja admirável. Todos recorrem a ela quando estão com algum conflito e ela, "a consoladora oficial", entende. Minha grande altivez: preciso ser achada na rua.
Clarice Lispector, A Descoberta do Mundo, 14 de junho, 1969.
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Soliloquio XIII
28.5.11
Khliebnikov ou a prefiguração da escultura sonora.
Eu vi
Um vivo
Sol
Ou tom no
Outono
Só no
Sono
Azul.
Enquanto
Do canto
Dos teus calcanhares
Calcas os ares
Para o novelo
Da nebulosa,
Teu cotovelo
Em ângulo alvo
Alteando aos lábios.
Abril,
Abrir
A voz
As provas
De
Deus.
Consonha
Em vôo
Aberto
O abeto,
Colhe os
Olhos
Azuis
Com os laços
Das sobrancelhas
E dos pássaros
Cerúleos.
No anil
Há mil.
1919
Tradução de Augusto de Campos e Boris Schnaiderman
Um vivo
Sol
Ou tom no
Outono
Só no
Sono
Azul.
Enquanto
Do canto
Dos teus calcanhares
Calcas os ares
Para o novelo
Da nebulosa,
Teu cotovelo
Em ângulo alvo
Alteando aos lábios.
Abril,
Abrir
A voz
As provas
De
Deus.
Consonha
Em vôo
Aberto
O abeto,
Colhe os
Olhos
Azuis
Com os laços
Das sobrancelhas
E dos pássaros
Cerúleos.
No anil
Há mil.
1919
Tradução de Augusto de Campos e Boris Schnaiderman
21.5.11
2
repara teu corpo,
tramas de 1 bilhão de hiatos,
diz
é como a bola que a neve lança
é como neve daquela lança
daquela época
daquele infante
repara a dança
repara e canta:
lança teu corpo daquela ponte
diz o teu nome em
tom e
quando cola da neve
cola na lança
o teu corpo
naquela banda
do mundo
repara a dança enquanto diz
a bola a neve
repara a sombra
que deixa bem leve
encanta encanta encanta
repara a prece homem
homem
repara a idade daquela era
lança teu corpo daquela prancha
mergulha, desce, afunda
repara o verso que disse o cego
repara o eco daquele velho
repara o mapa o catalogo
check in
repara. repara.
tramas de 1 bilhão de hiatos,
diz
é como a bola que a neve lança
é como neve daquela lança
daquela época
daquele infante
repara a dança
repara e canta:
lança teu corpo daquela ponte
diz o teu nome em
tom e
quando cola da neve
cola na lança
o teu corpo
naquela banda
do mundo
repara a dança enquanto diz
a bola a neve
repara a sombra
que deixa bem leve
encanta encanta encanta
repara a prece homem
homem
repara a idade daquela era
lança teu corpo daquela prancha
mergulha, desce, afunda
repara o verso que disse o cego
repara o eco daquele velho
repara o mapa o catalogo
check in
repara. repara.
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##,
liturgia do corpo,
para rito
28.4.11
O mar é meu, creiam. ---------------- o mar é meu, creiam.
É seu o mar, ------ é seu o mar,
dele o mar é -------------------- dele o mar é
como o mar --------- como o mar
que era seu que era seu
e é dele ------------------------------------------ e é dele
o mar é quanto o mar é quanto
------------------------------o mar pertença o mar pertença
ao dia ao dia ao dia ao dia ao dia ao dia ao dia ao dia ao dia
o mar é meu. ----- o mar é meu. -------------- o mar é meu.
18.4.11
Tempo da pedra dispor-se a florescer...... É tempo do tempo ser.. É tempo.
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moveis colonias de acajú
3.4.11
25.3.11
25.2.11
aceno a siena
catarina de siena desconhecia as letras
catarina de siena escrevia para seu papa
(ditava)
catarina de siena não confudia hóstia sem a presença do DEUS
que ela amava
ela sabia onde deus estava e
onde Deus não estava
catarina de siena escrevia para seu papa
(ditava)
catarina de siena não confudia hóstia sem a presença do DEUS
que ela amava
ela sabia onde deus estava e
onde Deus não estava
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#,
catarina de siena
19.1.11
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. porque eu eu não sei até onde me leva a palavra até onde o poema me leva até onde o sentido o signo o verbo a fala a letra é por isso que escrevo poque eu não sei eu não sei eu não sei não se
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Marcadores:
o grande saber
8.1.11
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