31.7.11

way to go o círculo!


durante o banho eu pensava passar num mercado para levar refrigerantes ou cerveja ou um salgadinho para ver o show do círculo. é que acho tudo muito caro nesses lugares. ir ver o círculo não quer dizer necessariamente entrar para o círculo de gastadores. durante o show precisei administrar uma porção de odores. fumaças que mudavam de textura quando a policia passava: indo do mais natural ao mais industrializado (eu observava os espectadores). 

poucas vezes na vida eu tive aquela sensação de estar empurrando minha visão de mundo para outro lugar diferente: alargando assim aquilo que eu acreditava para o mesmo e para outro. a banda o círculo me pareceu bastante religiosa na medida em que uma banda de rock pode ser assim desejada. tal qual santa teresa d'ávila na sua erótica do sagrado nos amplia o ver o mundo empurrando nossas opiniões para outro lugar a banda de rock do concerto no parque da cidade perto da minha casa empurrou meu ver as coisas para muitas outros territórios, inclusive o sagrado, o místico.

o mundo é um círculo e o show era cheio de círculos: um rapaz com uma mochila onde se dava ler pearl jam segurava o dvd do david bowie nas mãos e comentava com os seus algo sobre beleza e qualidade. o rapaz que esbarrou em mim disse que avó dele cantava melhor. era um homem mais velho e pegava latas de cerveja. outros cantavam e falavam de amor e as fumaças seguiam sem nada reclamar. de minha parte tudo pareceu me acenar para a diversidade. um circulo nunca é diverso, é tautológico. esse circulo pareceu me cheio de outros que me remetiam a outros que por sua vez não se satisfaziam com os mesmos dando sempre e mais para outros e outros e outros. ir até o círculo.

26.7.11

Anotações, 1942-1948.

#

Dormir ou sonhar, dizeis, e por sonhar, meu príncipe, entendeis sem dúvida mais ou menos o equivalente a viver. Mas se é dormir, é justo que repouseis após tantas insônias no terraço de Elsinor. Em caso de sonhar, porque temeis os sonhos, vós que temeis tão pouco os fantamas?

Marguerite Yourcenar, Peregrina e Estrageira

16.7.11

26.6.11

1985

e tulipas líricas em 1985
e dizer que estava enlouquecendo desde ontem
ou levitar com o som da voz da amada
quando ela dizia o nome das flores que gostava
para depois os nomes que não.

subir as escadas sem ar
sem ar deixar a moça após o amor
chegar ao clímax da casa e do gozo
do alto a visão das tulipas de 1985
na cama ela desconsertada.

24.6.11

anatômico, e


"...Doravante, quando o homem estremece na alienação e o
mundo o angustia, ele levanta o olhar (para a direita ou
para esquerda, pouco importa) e avista uma imagem... "
Martin Buber, Eu e Tu

Da garganta
_________ao estômago e
até a língua até as pálpebras
lá: na laringe
__da planta nos pés à porta,
chaga - calota - o Nome
orante da minha infância
sonhos de ver Cultura
de ver avanço;
______Sonho no estômago
das entranhas,
joelhos e
o verso esquecido na Esperança
e o que a mão apalpa,
fluído.

18.6.11

3.6.11

26

#
tenho 26 anos agora
tenho meu poema e minha idade
nela escrevi um lema com letras largas:
o número é importante
e a vida também

2.6.11

Do modo como não se quer a bondade


Y com sua enorme inteligência compreensiva, dedicando-se a não ser humana, no sentido em que ser humana é também ter violências e defeitos. Dedica-se a compreender perdoando os outros. Aquele coração está vazio de mim porque precisa que eu seja admirável. Todos recorrem a ela quando estão com algum conflito e ela, "a consoladora oficial", entende. Minha grande altivez: preciso ser achada na rua.

Clarice Lispector, A Descoberta do Mundo, 14 de junho, 1969.

28.5.11

Khliebnikov ou a prefiguração da escultura sonora.

Eu vi
Um vivo
Sol
Ou tom no
Outono
Só no
Sono
Azul.
Enquanto
Do canto
Dos teus calcanhares
Calcas os ares
Para o novelo
Da nebulosa,
Teu cotovelo
Em ângulo alvo
Alteando aos lábios.
Abril,
Abrir
A voz
As provas
De
Deus.
Consonha
Em vôo
Aberto
O abeto,
Colhe os
Olhos
Azuis
Com os laços
Das sobrancelhas
E dos pássaros
Cerúleos.
No anil
Há mil.


1919


Tradução de Augusto de Campos e Boris Schnaiderman

21.5.11

2

repara teu corpo,
tramas de 1 bilhão de hiatos,
diz

é como a bola que a neve lança
é como neve daquela lança

daquela época
daquele infante

repara a dança
repara e canta:

lança teu corpo daquela ponte
diz o teu nome em

tom e

quando cola da neve
cola na lança

o teu corpo
naquela banda

do mundo

repara a dança enquanto diz
a bola a neve
repara a sombra
que deixa bem leve

encanta encanta encanta

repara a prece homem
homem

repara a idade daquela era
lança teu corpo daquela prancha

mergulha, desce, afunda
repara o verso que disse o cego

repara o eco daquele velho
repara o mapa o catalogo

check in

repara. repara.

28.4.11

O mar é meu, creiam.     ---------------- o mar é meu, creiam.
É seu o mar,  ------  é seu o mar,
dele o mar é   --------------------  dele o mar é 
como o mar --------- como o mar
que era seu                                                     que era seu
e é dele ------------------------------------------ e é dele
o mar é quanto    o mar é quanto 
------------------------------o mar pertença  o mar pertença
ao dia ao dia ao dia  ao dia ao dia ao dia   ao dia ao dia ao dia 
o mar é meu. -----  o mar é meu.  -------------- o mar é meu.

18.4.11

Tempo da pedra dispor-se a florescer...... É tempo do tempo ser.. É tempo.

#

3.4.11

25.3.11

>>>

25.2.11

aceno a siena

catarina de siena desconhecia as letras
catarina de siena escrevia para seu papa
(ditava)
catarina de siena não confudia hóstia sem a presença do DEUS
que ela amava

ela sabia onde deus estava e
onde Deus não estava

19.1.11

.
.
.
.
.
.
.
porque eu eu não sei até onde me leva a palavra até onde o poema me leva até onde o sentido o signo o verbo a fala a letra é por isso que escrevo poque eu não sei eu não sei eu não sei não se
.
.
.
.
.
.
.

8.1.11

coltrane, coltrane.

 

18.12.10

Xto Pantocrator. Feliz Natal.

30.11.10

e. e. cummings, carry your heart with me (i carry it in

carry your heart with me (i carry it in
my heart)i am never without it (anywhere
i go you go,my dear; and whatever is done
by only me is your doing,my darling)
i fear
no fate(for you are my fate,my sweet)i want
no world(for beautiful you are my world,my true)
and it's you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you

here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life;which grows
higher than the soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that's keeping the stars apart

i carry your heart(i carry it in my heart) 

2.11.10

e-mail dela, valécia ribeiro: é amanhã.