
do canto liii, e. pound
do canto do tédio
que broto
de nada em si
re-boco.
alice,
teu interlocotor diria
rizo-amargura: diria
alice,
não é fuga o canto
o tédio das arvores sempre verdes,
belíssimas
alice,
belíssima.
um não.
"the river is within us; the sea is all aboult us;" eliot, t. s. quatro quartetos, the dry salvages, 20.
bem sei que a maioria procurava um espaço pare ver “o beijo” ou o “o pensador” no entanto, eu só pensava mesmo ver, demoradamente, a tal porta do inferno: como fiz, minuciosamente, minutos a fio.
ah! demorei-me por quase o tempo do esquecimento. detalhe a detalhe, tête-à-tête. da rachadura ao retoque no tempero & na intemperança, rememorando o inferno de zênon, do inferno dela mesma [?], sim, yourcenar.
reconheci assustado um beijo na porta do inferno. o amor na porta do inferno. uma figura retorcida na porta do inferno: eu mesmo buscando um poema, daquele lado da cabeça onde repousa o inconsciente.
o museu rodin. o palacete, já não é o mesmo de aulas, visitas, recitais, exposições de antes. a galeria ocupada me remeteu ao espaço vazio de antes: só quem recorda pode visitar museus. os que esquecem são um museu em particular. eu era o objeto de antes de qndo nada ali habitava no espectador de agora, com a referencia do claro/escuro, do cheio/vazio, da mudança até a ocupação. "o meu fim evidente era atar as duas pontas da vida, e restaurar na vilheice a adolescência. pois, senhor, não consegui recompor o que foi no que fui.", casmurro de mim mesmo.
& tudo corroborava ao contrário. turba multa & fruição são coisas de diálogo escasso: isso soube qndo não beijei a pedra, não beijei o beijo, da cabeça à imagem, como nesse texto, cheio de encontros, para impressionar o leitor.
a anatomia branca como a pele da mulher que nunca beijei, acenava ao insulto do puro. do casto logo a mim, transbordante de obscenidades. é que a beleza desconserta.
eu também recordei dos versos que recitei no pátio daquele ano incrível. eu também recordei da coisa que se completa no olhar, cheio de pathos, eu lembro de tudo antes de borges & funes, o memorioso.
depois fui assistir filme na casa de sebastião. fui planejar coisas que ainda não posso lhes contar. volto logo.
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no que não toca
é que leva aos cacos,
midas amigo do fracasso:
zorba zunindo em tom de dês-fonia,
arranha em cascas
tua agonia:
alto,
canta ex-horas ex-ilhas ex-ninhos
asfalto
ou o que quase em blake-ou-quase-em-quase
fracasse,
tua moral é toda em tom de nunca-faço
& ñ mora em casa onde casa habita
da mão que reside tecer exalar
não diz nome
exílio,
ou o punhal que é mão que é vítreo,
.
+/-
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1.
Se a perfeição
Fosse uma ínfima parte da poesia
Seria poeta
Apenas pelo lado da fantasia.
E se as flores, como a felicidade
Desejassem ser para sempre
Um poema simples
(secreto meio-dia
Deste dia de namorados)
Feliz da felicidade
Feita por estas flores, esta poesia
Da minha idade, este distinto dia.
2.
Imagina tu,
Que a vida nem é um grande rio.
Senta-te, sorri e
Imagina tu
Que coloco a flutuar
Um barco de papel em branco.
Imagina, que sigo e perco de vista
O barco em papel, só porque fico sentado
Eu a observar o que ele flutua.
Imagina tu,
Que deixo uma pedra nesta margem
E lanço-me por esse rio, só porque quero flutuar,
Também.
Este rio corre, e eu como ele
E olho para trás e para a frente
E não medi as consequências deste flutuar,
Nesta pequena perspectiva de viver.
Imagina tu
Que te levo comigo neste pequeno sossegar,
Neste pequeno saber, sentir o rio a correr
Sem ficar parado a observar
Ou o que poderia acontecer.
Ou seja, imaginar
Que a vida não é apenas um rio que passa,
Mas por viver
O único em que podemos mergulhar.
Almada, 14 de Fevereiro de 1992
(…)
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